
A música sem duvida nenhuma é um dos pilares pelo qual podemos olhar a historia da sociedade. Ela tem o caráter de dizer muito em poucas palavras. A música trás consigo realidades psicológicas, sociais, históricas, políticas e científicas. Trechos, como :
“Você não sente, não vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança, em breve, vai acontecer
E o que algum tempo era novo, jovem, hoje é antigo “
Palavras de Antonio Carlos Belchior e eternizadas na voz de Elis Regina, na década de 1970. Trazia o início de uma maravilhosa canção que tentaria descrever o sentimento de uma sociedade.

Outras músicas, como Sunday Bloody Sunday, da banda irlandesa U2, na década de 1983. Canção eternizada pela sua batida militarista e harmonia melódica. Trazendo uma sensação de tristeza pela melodia em repúdio a batida militarista. A letra descreve o horror do “Domingo sangrento”. Dia em que tropas britânicas atiraram e mataram participantes da manifestação de direitos civis, em janeiro de 1972 em Derry na Irlanda do Norte.
“And the battle’s just begun
There’s many lost, but tell me who has won
The trench is dug within our hearts
And mothers, children, brothers, sisters torn apart”
[“E a batalha apenas começou
Há muitos que perderam, mas diz-me: Quem ganhou?
As trincheiras cavadas em nossos corações
E mães, filhos, irmãos, irmãs dilacerados’]

Essas e outras músicas, são primores da nossa historia quanto sociedade. Marcos da genialidade e sensibilidade humana.
Mas…
Essas músicas tem algo em comum. E é a intenção de dizer.
Artistas podem (não só eles) usar de diversas alegorias e técnicas linguísticas para dizer uma verdade oculta.
Como Evey, personagem de V de Vingança (2006) diz:

Mas e quando a verdade se esconde? E quando a própria verdade usa o artista para se revelar ?
Isso realmente acontece. E é serviço da KONG SCIENCE revelar isso, olhando através das muralhas. Veja essa belíssima canção de Andre Renato, Sereno e ronaldinho. Chamada “Vivo pra você” e com uma interpretação fantástica do grupo de samba Fundo de quintal:
Fechei a porta da tristeza
Abri os braços pra alegria
Meu universo minha fonte de amor
Segui a luz do meu destino
Você mudou a minha vida
E por você eu fico louco de amor
Eu juro que não vai ter fim
Meu bem você nasceu pra mim
Eu já estou dominado
Entregue apaixonado
Ganhei motivos pra viver
Não sinto mais prazer
Sem o teu calor sem o teu calor
Vivo pra você a ponto de esquecer de mim
Porque eu só vivo pra você
Achei melhor viver assim
Não percebi deixei correr
E quando eu vi já era minha a sua estrada
Porque eu só vivo pra você

Deixei mais evidente algumas partes da canção para evidenciar que, sim, ela fala sobre uma paixão desenfreada. Mas, o que ninguém percebeu é que ela faz todo sentido científico.
Quando a canção, primeiramente, diz “Meu universo minha fonte de amor”. Sabemos, hoje, que o amor é o nome de um conjunto de emoções provocadas neuroquimicamente por um neurotransmissor (não só ele, mas em grande medida) chamado Dopamina.
A dopamina é precursora natural da adrenalina e outras catecolaminas com função estimulante do sistema nervoso central. [Uma molécula responsável pelo amor… Incrível]
E a dopamina é formada por um arranjo bastante específico de elementos. Carbono, hidrogênio, nitrogênio e oxigênio. Mas de onde vem esses elementos?
DO NOSSO UNIVERSO !!
Sim! Estrelas como nosso sol, que compõe todo nosso universo. São alimentadas com fusão nuclear. [Vou explicar com mais detalhes no post “De onde viemos, nós já sabemos!”]
As seguintes reações nucleares ocorrem nas estrelas para formarem elementos do Hélio até o Ferro:
. Fusão de Hidrogênio para a produção de Hélio.
. Fusão de Hélio para produção de Carbono, Oxigênio e Neônio.
. Fusão de Carbono, Oxigênio e Neônio para a produção de todos os elementos até o Silício.
. Fusão de Silício para produção de todos os elementos até o Ferro.
[As coisas ficam bastante caóticas depois, mas já adianto que estrelas não fazem fusão do Ferro]

O fundo de Quintal estava certo!
Mas é aqui que as coisas ficam meio tensas. Nos trechos “E por você eu fico louco de amor” e “Não sinto mais prazer“, a canção mostra o outro lado da moeda da dopamina. Esse neurotransmissor que nos proporciona tanta alegria, nos faz cantar, ver o mundo cor de rosa e apreciar sua beleza. Também é o neurotransmissor que fazem tantas pessoas se perderem no mundo das drogas.
Nas palavras do Doutor Drauzio Varella “A neurobiologia das drogas consiste no aumento da concentração de dopamina, neurotransmissor envolvido nas sensações de prazer. Esse mecanismo que dá o origem ao aprendizado associativo, que constitui a base do condicionamento”
Uma pesquisa recente (2019) da Fundação Oswaldo Cruz mostra que mais de 3,5 milhões de brasileiros consumiram drogas ilícitas em um período recente. Com dados comparativos de 2013, a pesquisa mostrou que até 2017, no fim do levantamento tivemos uma número alarmante de usuários e dependentes de drogas. E temos que fazer algo a respeito, drogas não são um caminho.
Sabemos como se cria um vício, os efeitos da dopamina e de onde ela vem. Podemos usar desse conhecimento pra ir além de uma dependência. Podemos nos viciar nas coisas belas da vida e, sim, a vida é bela, o universo é gigantesco e temos uma infinidade de coisas pelas quais valem a pena se apaixonar e criar uma linda canção.

Kong Scientist.
Graduando em física, seguidor de horizontes, destruidor de muralhas aos fins de semana.
Referências:
memoriasdaditadura.org.br/artistas/elis-regina/
pt.wikipedia.org/wiki/Sunday_Bloody_Sunday
pt.wikipedia.org/wiki/Domingo_Sangrento_(1972)
mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/a-quimica-amor.htm
ciencias.seed.pr.gov.br/arquivos/File/sugestao_leitura/52quimica_amor.pdf
portal.fiocruz.br/
drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/dependencia-quimica-neurobiologia-das-drogas-artigo/
Músicas:
Elis Regina – Velha Roupa Colorida
U2 – Sunday Bloody Sunday
Fundo de Quintal – Vivo pra você
Imagens:
images.app.goo.gl/odDqQes9XtixJdt76
images.app.goo.gl/p6VUj6uVRk5os3vn6
images.app.goo.gl/ptkCZzbpDfyZNzzz8
images.app.goo.gl/qiF1DkVvKXDBSaKe8
images.app.goo.gl/E6aWHvvY4EK51UHi6